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Arranque a etiqueta de ti!

Dia desses eu estava vendo o vídeo acima (quase fundei um fã-clube para a moça da direita :)) e fiquei pensando em como essa história de moda e etiqueta consegue ser idiota.

Lembrei que neste momento há um grupinho de estilistas donos do mundo reunidos numa rodinha ditando qual será a “tendência” das ruas daqui a seis meses.

Alguém vai decidir, por exemplo, que aqueles vestidos horríveis com um elástico embaixo, que deixam as mulheres parecendo um balão (deve ter um nome, mas, sorry, não sei qual é) são fashion.

Ou que os óculos do momento não são mais os de aro grosso, mas os grandões, à la Janis Joplin (sério, outro dia fui a uma ótica em busca de um óculos que aparecesse o mínimo possível, como eu gosto, e lutei horas pra achar uma opção dessas, num fundo empoeirado de estante).

Também rola aquela história de que cortar alface é falta de educação, segundo a boa etiqueta. Quem diabos inventou isso?! Será que essa pessoa já tentou engolir uma alface americana gigante sem fazer nenhum corte, só embolada e enfiada de uma vez, goela abaixo? Espero que tenha tentado – e que tenha se engasgado.

E aqueles que acham pecado mortal cortar o espagueti? Qual o problema, se acho essa a maneira mais fácil de comer sem me lambuzar de molho de tomate? Por que haveria de ser um crime?

Qual a utilidade dessas regrinhas nonsense de etiqueta e de moda “adequada”? Só vejo uma possível: levar pessoas que se acham melhores que as outras a sair por aí arrotando o que é certo ou errado, na tentativa de humilhar aquelas que elas consideram piores. Que geralmente são as mais pobres (as vítimas sociais de sempre), que apenas ganham mais essa forma de humilhação sob o apelido de “cafona”, “brega”, “fora de moda”, “sem educação”.

(São como aqueles caras que buzinam só pelo prazer de dizer que estão mais certos que o outro, mas, na real, só tornam a cidade muito mais desnecessariamente ensurdecedora).

Pois me manterei surda a essas buzinas da moda e continuarei cortando alface e macarrão, usando óculos discretos, e, assim como a moça da direita no vídeo, porretíssima em seus argumentos, vou continuar vestindo o sapato mais confortável em vez do mais bonito e a roupa que mais combina com meu estilo, que é só meu e de mais ninguém.

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Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

14 comentários em “Arranque a etiqueta de ti! Deixe um comentário

  1. Hahahaha esse vídeo é um dos mais sensacionais que eu já vi em aula!
    É verdade isso, dá uma raiva dessas “tendências” é tudo pré-fabricado, e engraçado que as coisas velhas voltam pra moda então se alguém quiser seguir isso é só nunca se desfazer de suas roupas atuais né?!
    Agora essa do alface eu não sabia…
    Eu corto alface e quebro miojo porque uma vez eu engasguei quando eu era criança e fiquei traumatizada…
    É cada uma né?! Muito bem feito pra essa tchonga aí!

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  2. Eu vi e revi e revi novamente. Da primeira vez pensei “É pegadinha, só pode!”. rs Mas nem é, a repórter é que ficou numa saia justa danada! Eita, mulher arretada essa Carla! Gostei!

    No fundo é a velha história de rotular. O “fora de moda” é também utilizado para criar nas pessoas o desejo de consumir, de trocar um estilo de roupa ou acessório que gosta por uma “tendência”. Daí uma simples camiseta “da moda” tem um preço quase surreal mas valerá a pena, pois estará “na moda” e assim os olhares serão diferenciados.

    Apenas para ilustrar esse papo, me lembro de uma pessoa dizendo que “quem não tem dinheiro vai usar roupinha da C&A”. Daí essa mesma pessoa fez uma viagem para a Europa (ohhh) e admitiu ter comprado roupas…numa loja de departamentos! Mas era em Paris, então não perdeu a pose “É de uma loja de departamentos p-a-r-i-s-e-n-s-e!” hahahahaha! Eu “si” divirto com essas coisas.

    E nem me fale em óculos, tô caçando uma ótica por aqui que tenha armações discretas, e não esses trololós de aros grossos e enormes que estão tentando me empurrar com o indefectível “Tá na moda”. Argh!

    Bj

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      • Eu só lembro deste post, Cris. Induzido (!) e bombardeado pelas recomendações ( inclusive maternas) de “muda esse visual”, acabei comprando uma armação destas mais ou menos discreta dentro dos “atuais padrões da moda” – já viu, né? E foi caro.

        Resultado: estou aqui usando o bom e velho antigo par de óculos. Não tá na moda, mas é leve e pra lá de confortável.

        Bem feito pra mim! Se meu avô estivesse vivo teria dito: “Que diacho de moda! O que importa é enxergar!” Ainda bem que ele não tá vivo pra saber o quanto o neto dele gastou na armação rsrsrs

        Bjs!

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  3. Olá. Li um tweet do Jaime (do Grooeland) e resolvi conferir seu blog.

    Achei seu texto incrível, a exemplo do vídeo onde a entrevistada deixou a repórter com cara de tacho merecidamente (ela foi toda agressiva, como essas pessoas que buzinam feito loucas, ao dizer que a outra não entendia nada de moda e sei lá o quê). Na minha opinião, é isso mesmo, é a reunião de um grupo de pessoas elitistas que sente o prazer de humilhar aqueles que não obedecem a suas tendências como poodles adestrados…

    Vou procurar passar aqui mais vezes. ^^

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  4. Isto me fez lembrar um caso ocorrido no Reino Unido. A Rainha oferece, anualmente, um almoço, em homenagem às senhoras beneméritas, cujas ações sociais promoviam os menos favorecidos. Pois bem, dentre estas, destacava-se, pela simplicidade, uma senhora de origem rural. Posto o serviço, junto foi disposta a colônia, mistura de água e suco de limão, servida em uma taça, destinada à limpeza das mão. Esta senhora, sem conhecer a etiqueta, tomou do cálice e bebeu 0 saboroso refrigério. As demais, cortesãs habituadas à mesa palaciana, fizeram cara de espanto e, aguardaram o sinal da rainha, para a humilhação final à intrusa. No entanto, e aí reside de fato a nobreza, a rainha, percebendo o fato e a intenção das cortesãs, tomou do cálice e bebeu a colônia, acomanhando, na maior naturalidade, aquela senhora, simples, mas tão benemérita ou mais que as demais presentes.
    Por sua “surdez” a estas e outras coisas, é que continuo seguindo suas matérias, sem contudo, julgar que seja a moda.
    Abraços.

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